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Os problemas de hoje provêm das soluções de ontem

March 01, 2020

No livro A quinta disciplina, Peter Senge conta a seguinte história:

[…] o problema principal de um mercador de tapetes era um calombo que aparecia no tapete. Consternado com esta situação ele tentou fazer o calombo desaparecer, porém o calombo sempre aparecia em outro lugar. Depois de muito tempo ele levantou o tapete e viu sair dali uma cobra.

Esta história reflete que em muitas vezes a nossa preocupação maior é guiada pela solução momentânea dos problemas, e não em descobrir suas reais causas. Dessa forma, acabamos deslocando o problema para outro lugar. Neste caso, não importa o quão dedicados nós sejamos, não colheremos o fruto do trabalho. No caso do mercador, ele poderia ficar dias tentando fazer o calombo desaparecer, e talvez um dia a cobra fosse embora sozinha.

Os problemas de comunicação, por exemplo, parecem aumentar quanto mais a tecnologia se desenvolve. Possuímos meios de comunicação mais eficientes e conseguimos enviar mensagens em espaços de tempo menores. Mensagens que antes demoravam dias para alcançar seus destinos são hoje entregues instantaneamente em qualquer canto do planeta. Ficamos muito mais eficientes em nos comunicarmos.

Porém, os problemas de comunicação ainda persistem e as mensagens trocadas ainda carecem de qualidade. Toda a tecnologia disponível ainda é incapaz de substituir uma boa conversa presencial frente a frente, onde podemos identificar sutilezas, como gestos, entonação de voz e expressões faciais. De certa forma, o crescente uso de emojis, stickers, gifs e memes tenta reduzir no meio digital esta deficiência não presente no meio físico.

Não deveria discutir se vamos usar Ruby ou Java, se nossa aplicação será um monolito ou baseada e m microsserviço. A escolha pelo uso de qualquer ferramenta deveria ser apenas consequência da nossa observação dos problemas e não das nossas crenças e preferências pessoais. Dado um contexto, é melhor seguir uma ou outra abordagem.

Não deveríamos também criar problemas para dar utilidade a uma ferramenta. Dessa forma corremos o risco de dar a resposta certa para a pergunta errada. Por que precisamos de Cidades Inteligentes? Por que precisamos de IoT? Por que precisamos de blockchain? As vezes para solucionar um problema precisamos dar um passo para trás, e não mais um para frente. Enquanto buscarmos como meta qualquer uma dessas ideias, provavelmente iremos ignorar os nossos problemas reais.

Não importa se a forma como gerenciamos projetos é Ágil ou Waterfall, se é moderna ou antiquada. “Essa abordagem não é Ágil” não é algo sobre o qual deveríamos discutir, “Não estamos fazendo do jeito Ágil” não é algo sobre o qual deveríamos despender energia. Nossa meta não é fazer as coisas de um determinado jeito, é resolver os problemas do melhor jeito possível.

Na Magrathea nós não adaptamos os problemas dos nossos clientes e da comunidade para que se encaixem nas ferramentas que queremos usar, nós escolhemos as ferramentas para resolver os problemas.

Nós usamos tecnologia para resolver problemas complexo, e não: nós buscamos problemas complexos para usarmos tecnologia.